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05/07/2010 | 18h43
Farmacêuticos alertam para perigos do Viagra a R$ 20
    
ALTERA O
TAMANHO DA LETRA
"Laboratório do Viagra derrubou os preços pela metade", afirma o presidente da Aprofarma

O anúncio do fim da patente do Viagra mexe com o mercado de medicamentos e aumenta a preocupação com a automedicação. A produção do mesmo princípio ativo por laboratórios concorrentes significa queda nos preços e o Conselho Regional de Farmácias teme que isso provoque um ´boom´ no consumo do remédio por pessoas que não têm indicação médica, entre eles, adolescentes curiosos para conhecer os efeitos do artifício para aumentar a potência sexual. "A gente sabe que, na prática, já não há um controle nas vendas e que esse medicamento atrai a curiosidade da população masculina, inclusive de adolescentes.

O que segurava até agora era o preço, mas com a queda no valor pode haver uma procura desenfreada", disse a farmacêutica e membro do conselho Janaína Cassaniga. O presidente da Aprofarma (Associação dos Proprietários de Farmácia) de Jundiaí, Julio César Pedroni, lembra que o lançamento de versões genéricas de outros tipos de medicamentos não aumentou o consumo, por isso, não arrisca a estimativa de um ´boom´ na venda do remédio para impotência, mas ressalta o lançamento do ´viagra genérico´ já gera expectativa entre os consumidores, o que não aconteceu na época de quebra de patente de outros princípios ativos.

Pedroni disse que o laboratório que vai fabricar o novo título ainda não deu previsão de data para a distribuição na cidade, mas destaca que a novidade derrubou o preço do ´oficial´. "O laboratório do Viagra derrubou os preços pela metade", afirma. A caixa mais comercializada, com dois comprimidos de 50mg, antes custava R$ 50, já sai a R$ 33,38. A estimativa é que o genérico chegue a R$ 20.

Perigo - A farmacêutica Janaína afirma que o medicamento para impotência aumenta a circulação do sangue, o que pode levar à morte pessoas com angina (doença cardíaca) ou hipertensas. Ela explica que, para haver ereção, o sangue se concentra na região peniana, desequilíbrio que pode ser fatal a quem já tem a circulação debilitada. Para os mais jovens, a combinação do remédio com álcool e até com as alterações no organismo durante o ato sexual pode causar derrames. "O ato sexual acelera os batimentos cardíacos. Os jovens que buscam este medicamento normalmente consomem álcool antes do ato e essa associação também provoca taquicardia e alterações na pressão sanguínea que podem levar ao derrame cerebral", alerta a farmacêutica.

Oficialmente, a venda deste tipo de medicamento só pode ser feita com receita médica, mas Janaína reconhece que não há estrutura suficiente da Vigilância Sanitária e do Conselho de Farmácias para fazer fiscalização em todos os estabelecimentos. "Esse tipo de venda chega a acontecer até sem que o farmacêutico fique sabendo." Segundo ela, as redes de farmácias cumprem a determinação, o que nem sempre acontece em estabelecimentos menores e em bairros afastados do Centro.

Dono de farmácia, Pedroni confirma que jovens buscam o remédio, mas, em seu estabelecimento, acabam orientados pelos funcionários sobre os riscos e que a venda só venda só poder ser feita com receita médica. Para tentar coibir práticas irregulares, Janaína defende que o remédio para impotência volte a ter controle rigoroso, ou seja, só seja entregue com a retenção da receita médica. Mas a Anvisa informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que por enquanto não pretende tomar medidas mais drásticas para restringir a venda do medicamento.

Fonte: 25/06/2010 - Jornal de Jundiaí

Jornalista: ANDRÉA LAVAGNINI
 
 
 
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