A presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás, Luciana Calil, concedeu entrevista à Rádio Sucesso FM para alertar a população sobre os riscos da asma, doença respiratória que ainda causa cerca de duas mil mortes por ano no Brasil. Na conversa, destacou a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e da atuação do farmacêutico no acompanhamento dos pacientes.
A participação faz parte das ações da campanha nacional “Respira Mais Brasil”, promovida pelo Conselho Federal de Farmácia em parceria com os Conselhos Regionais, com foco na ampliação do rastreamento da asma, na orientação da população e no incentivo ao uso racional de medicamentos.
Segundo Luciana Calil, o período de aumento das doenças respiratórias exige atenção redobrada, especialmente para pessoas que convivem com asma, bronquite e outros problemas pulmonares.
“Estamos em uma época em que doenças respiratórias tendem a se agravar. Influenza, H1N1 e outras infecções podem intensificar significativamente as crises em pacientes asmáticos”, explicou.
Sintomas precisam de atenção
Entre os principais sinais da asma, Luciana citou chiado no peito, falta de ar, sensação de aperto no tórax, tosse persistente e cansaço ao realizar atividades físicas.
Ela também chamou atenção para os casos mais graves, quando o paciente pode apresentar dificuldade para falar, respiração acelerada e cianose, caracterizada pelos lábios arroxeados em razão da baixa oxigenação.
“O diagnóstico precoce e o tratamento correto são fundamentais para evitar complicações e salvar vidas”, ressaltou.
Uso correto das “bombinhas” influencia no controle da doença
Outro ponto abordado foi a utilização adequada dos dispositivos inalatórios, conhecidos popularmente como “bombinhas”. De acordo com a presidente do CRF-GO, muitos pacientes recebem a prescrição médica e compram o medicamento, mas enfrentam dificuldades no momento de usar o dispositivo.
“Há pessoas que sopram o dispositivo, quando o correto é inspirar o ar para que o medicamento seja absorvido adequadamente pelo organismo. A forma de uso interfere diretamente na eficácia do tratamento”, explicou.
Luciana reforçou ainda que o uso racional de medicamentos envolve utilizar o medicamento correto, na dose indicada, pelo tempo adequado e da maneira certa.
Orientação farmacêutica faz diferença
Na entrevista, a presidente destacou que o farmacêutico exerce papel essencial no cuidado aos pacientes com asma, já que muitas vezes é o último profissional de saúde a ter contato com o paciente antes do início do tratamento.
“O farmacêutico orienta sobre horários, armazenamento, duração do tratamento e principalmente sobre a forma correta de utilizar os dispositivos inalatórios. Esse acompanhamento é indispensável”, afirmou.
Ela também incentivou a população a buscar orientação profissional sempre que adquirir medicamentos para doenças respiratórias.
Capacitação amplia suporte aos pacientes
A campanha “Respira Mais Brasil” também inclui ações de capacitação voltadas aos farmacêuticos e estudantes de Farmácia. Entre elas está o curso “Cuidado Farmacêutico à Pessoa com Asma”, promovido pelo Conselho Federal de Farmácia em parceria com os Conselhos Regionais.
A formação tem como objetivo fortalecer a atuação clínica do farmacêutico no acompanhamento de pacientes com asma, ampliando a qualificação profissional e contribuindo para um cuidado mais efetivo em saúde.
O curso contempla conteúdos teóricos e práticos voltados ao atendimento farmacêutico, acompanhamento farmacoterapêutico e uso correto dos dispositivos inalatórios, etapa considerada essencial para o sucesso do tratamento.
Em Goiás, a etapa presencial da capacitação será realizada em Goiânia e integra as ações da campanha nacional de conscientização sobre a asma.
“Estamos preparando os farmacêuticos para oferecer ainda mais suporte aos pacientes, desde a orientação correta até o acompanhamento do tratamento”, destacou Luciana Calil.
Ao final da entrevista, a presidente do CRF-GO reforçou que, embora a asma não tenha cura, a doença pode ser controlada com acompanhamento adequado e adesão ao tratamento.

