A demanda por medicamentos personalizados segue em crescimento no Brasil. Atualmente, o país conta com quase 9 mil farmácias de manipulação, que desempenham um papel fundamental na promoção de tratamentos individualizados, seguros e eficazes. Diante desse cenário, é essencial que o paciente saiba identificar critérios de qualidade e segurança antes de escolher o estabelecimento onde irá adquirir seus medicamentos.
De acordo com a Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), alguns pontos merecem atenção especial. Entre eles estão a prescrição obrigatória feita por um profissional de saúde habilitado, a presença de farmacêutico responsável durante todo o horário de funcionamento, além do alvará da Vigilância Sanitária e da regularização junto ao Conselho Regional de Farmácia (CRF). O ambiente também deve ser limpo, organizado e adequado às boas práticas de manipulação.
Outro aspecto importante é a transparência com o consumidor. A farmácia de manipulação deve fornecer nota fiscal, instruções claras de uso e etiquetas completas nos frascos, contendo informações como composição, dose, forma farmacêutica, data de validade e identificação do responsável técnico.
Na visão do farmacêutico, os medicamentos manipulados oferecem vantagens importantes em relação aos industrializados, especialmente por serem desenvolvidos sob medida para as necessidades individuais de cada paciente. É possível ajustar doses que não existem no mercado convencional, adaptar formas farmacêuticas para crianças, idosos ou pessoas com dificuldade de deglutição, além de excluir substâncias que possam causar alergias ou intolerâncias. Esse cuidado individualizado reforça o papel clínico do farmacêutico e contribui diretamente para a adesão e o sucesso do tratamento.
Apesar dos benefícios, o farmacêutico alerta para os riscos do consumo de medicamentos manipulados adquiridos sem receita ou em estabelecimentos irregulares. As formulações magistrais são baseadas em literaturas científicas que determinam doses seguras, indicações corretas e limites de uso. Ao comprar produtos de origem duvidosa, o paciente fica exposto à falta de garantia quanto à qualidade, eficácia e segurança do medicamento.
Caso o consumidor identifique irregularidades ou tenha dúvidas sobre a legalidade da farmácia de manipulação, a orientação é procurar a Vigilância Sanitária do seu município ou estado. Não existe um número único de contato, pois a fiscalização é realizada em nível local.
A escolha da farmácia é sempre do paciente. O consumidor deve se sentir seguro para pesquisar, solicitar orçamentos, tirar dúvidas e pedir informações. Vale lembrar que, conforme determina a Anvisa, a farmácia de manipulação não pode ter vínculo com profissionais de saúde para fins de indicação, garantindo autonomia e ética no processo de escolha.
O CRF-GO reforça que o farmacêutico é o profissional habilitado para assegurar a qualidade dos medicamentos manipulados, orientando corretamente a população e promovendo o uso racional e seguro dos medicamentos.

