A incorporação do Emicizumabe ao Sistema Único de Saúde (SUS) representa um avanço importante no tratamento da hemofilia A infantil em Goiás e evidencia o papel estratégico do farmacêutico na assistência a pacientes que utilizam medicamentos de alta complexidade.
A nova terapia é indicada especialmente para a primeira infância, fase essencial para o desenvolvimento físico e motor. Diferentemente do tratamento convencional baseado na reposição do fator VIII, que exige infusões intravenosas frequentes, o Emicizumabe é administrado por via subcutânea e possui maior tempo de ação no organismo, permitindo aplicações semanais, quinzenais ou mensais.
De acordo com a hematologista responsável pelo Hemocentro, Érika Paiva, o medicamento reduz em mais de 90% os episódios hemorrágicos, incluindo sangramentos espontâneos. Também contribui para a diminuição de internações hospitalares e para a prevenção de sequelas articulares precoces.
Farmacêutico no centro da assistência
Na Rede Hemo, o farmacêutico exerce papel central na implementação segura do tratamento. Segundo o gerente da Assistência Farmacêutica do Hemocentro de Goiás, Hericon Bonfim Gomes da Silva, o acompanhamento farmacoterapêutico individualizado é essencial para garantir a efetividade da nova terapia.
“O farmacêutico realiza o acompanhamento contínuo das crianças, orienta pais e cuidadores sobre armazenamento, preparo e administração correta do medicamento e monitora possíveis eventos adversos. Esse suporte é fundamental para a segurança do paciente e para o sucesso do tratamento”, explica.
Hericon destaca que a atuação farmacêutica também envolve o controle logístico e a rastreabilidade do medicamento. “Somos responsáveis por garantir o uso racional da terapia no SUS, assegurando que ela seja aplicada conforme os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas”, afirma.
Impacto na adesão e na qualidade de vida
Sob a perspectiva da assistência farmacêutica, a nova tecnologia contribui para melhorar a adesão ao tratamento e a qualidade de vida das crianças e de suas famílias. A administração subcutânea e a menor frequência de doses reduzem a complexidade do cuidado e o estresse associado às múltiplas punções venosas.
“Quando simplificamos o tratamento, favorecemos a adesão e diminuímos o impacto da doença na rotina das famílias. Isso se reflete em mais conforto, segurança e qualidade de vida para os pacientes”, ressalta o farmacêutico.
Apesar de ser um medicamento de alto custo, especialistas apontam que a incorporação pode gerar racionalização de recursos públicos ao reduzir internações e complicações decorrentes da doença.
Para a presidente do CRF-GO, Luciana Calil, a incorporação do Emicizumabe ao SUS é motivo de orgulho para a categoria e evidencia, na prática, a importância do farmacêutico na assistência em saúde.
“Ver o farmacêutico atuando diretamente na implementação de uma terapia inovadora, acompanhando pacientes e apoiando as famílias, mostra o quanto esse profissional é fundamental para transformar avanços científicos em cuidado real”, afirma.
Ela ressalta que o trabalho dos farmacêuticos na rede pública faz diferença no dia a dia dos pacientes. “O farmacêutico está próximo da equipe de saúde e das famílias, garantindo segurança no uso do medicamento e contribuindo para melhores resultados no tratamento. Para o CRF-GO, é essencial valorizar e dar visibilidade a essas iniciativas que mostram a força e o compromisso da nossa profissão com a saúde da população”, destaca Luciana Calil.
A iniciativa reforça a importância da atuação farmacêutica na promoção de um cuidado mais seguro, eficaz e humanizado, especialmente em tratamentos de alta complexidade na saúde pública.

