Uma nova alternativa terapêutica para pessoas com lesões na medula espinhal pode futuramente integrar o Sistema Único de Saúde (SUS). A substância conhecida como polilaminina, que vem sendo estudada como estratégia inovadora dentro da medicina regenerativa, poderá ser oferecida gratuitamente à população caso receba aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A possibilidade foi mencionada pela cientista Tatiana Sampaio durante participação no programa Roda Viva, da TV Cultura. Segundo ela, a incorporação do tratamento ao SUS dependerá da conclusão das etapas regulatórias e da avaliação sanitária da Anvisa.
Atualmente, a polilaminina encontra-se na fase 1 de estudos clínicos, etapa inicial voltada principalmente à avaliação da segurança e da tolerabilidade da substância em seres humanos. Nessa fase, os pesquisadores analisam possíveis efeitos adversos e parâmetros básicos antes de avançar para etapas que investiguem de forma mais ampla a eficácia do tratamento.
A polilaminina é uma forma estabilizada da proteína laminina, presente naturalmente no organismo e relacionada aos processos de desenvolvimento e regeneração do sistema nervoso. A pesquisa busca avaliar seu potencial na recuperação de funções motoras em pessoas com lesões na medula espinhal.
Apesar de ainda estar em fase inicial de testes, o avanço da pesquisa tem despertado grande expectativa entre pacientes e familiares que aguardam novas alternativas terapêuticas. Caso a substância obtenha registro sanitário e seja incorporada às políticas públicas de saúde, sua disponibilização pelo SUS poderá representar um avanço significativo no acesso a terapias de alta complexidade no país.
Especialistas destacam, no entanto, que o desenvolvimento de novos medicamentos exige rigor científico e o cumprimento de todas as etapas de avaliação clínica e regulatória. Somente após a comprovação de segurança e eficácia a substância poderá ser autorizada para uso terapêutico e eventualmente incorporada ao sistema público de saúde.

