A situação envolvendo a superbactéria KPC no Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas (SP), ganhou novos desdobramentos. A Prefeitura confirmou mais dois casos de infecção na UTI adulta da unidade, elevando para nove o total de pacientes diagnosticados. Até o momento, não há registro de óbitos.
De acordo com a Rede Mário Gatti, os novos casos referem-se a pacientes que já estavam internados há mais de sete dias, ou seja, antes da adoção das medidas de contenção e do fechamento da UTI para novas admissões. Os resultados dos exames que confirmaram as infecções foram divulgados antes da transferência desses pacientes para uma ala contingencial destinada exclusivamente a pessoas sem a bactéria.
A UTI adulta permanece sem receber novos pacientes desde o último dia 10, como parte das estratégias para interromper o surto. Pacientes que necessitam de cuidados intensivos seguem sendo encaminhados para outras unidades, como o Hospital Ouro Verde, ou direcionados por meio da central de regulação.
Entenda o que é a KPC
A KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) é uma bactéria multirresistente, conhecida como “superbactéria” por sua capacidade de neutralizar a ação de diversos antibióticos, especialmente os mais utilizados em infecções graves. Identificada no Brasil no início dos anos 2000, ela tem sido associada a surtos recorrentes em ambientes hospitalares.
Segundo especialistas, o surgimento desse tipo de bactéria está diretamente relacionado ao uso frequente e, muitas vezes, intensivo de antibióticos potentes ao longo dos anos, o que favorece o desenvolvimento de resistência bacteriana.
Principais infecções associadas
A KPC pode causar diferentes tipos de infecção, principalmente em pacientes hospitalizados e com a imunidade comprometida. Entre as manifestações mais comuns estão:
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Infecções da corrente sanguínea (sepse)
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Pneumonia
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Infecções do trato respiratório
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Infecções urinárias (menos frequentes)
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Infecções em feridas cirúrgicas
Como ocorre a transmissão
A disseminação da KPC ocorre principalmente em ambientes hospitalares, por meio do contato com fluidos corporais de pessoas infectadas ou por equipamentos como ventiladores mecânicos, cateteres e sondas. Falhas nos protocolos de higienização e desinfecção podem favorecer a chamada transmissão cruzada entre pacientes.
Embora menos comum, a infecção também pode ocorrer fora do ambiente hospitalar.
Prevenção e cuidados
A prevenção da disseminação da KPC depende do cumprimento rigoroso de medidas de controle de infecção. Entre as principais recomendações estão:
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Higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel
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Uso adequado de equipamentos de proteção por profissionais de saúde
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Rigor nos processos de limpeza e desinfecção hospitalar
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Monitoramento contínuo de casos suspeitos e confirmados
Para a população em geral, a atenção com a higiene das mãos continua sendo uma das formas mais eficazes de prevenção. Já para os profissionais de saúde, o cumprimento das normas de biossegurança é essencial para conter a propagação da bactéria.
O caso reforça a importância da vigilância epidemiológica e do uso racional de antibióticos, fundamentais para enfrentar o avanço das bactérias multirresistentes e garantir a segurança dos pacientes.
Fonte: Prefeitura de Campinas; Rede Mário Gatti; informações de especialista da Unicamp.

