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Nova NR-1 amplia exigências e reforça gestão de riscos no varejo farmacêutico

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) traz novos desafios para o setor farmacêutico, ampliando a responsabilidade das empresas na gestão de riscos ocupacionais e exigindo uma atuação mais estruturada e contínua.

A partir de maio de 2026, o varejo farmacêutico deve enfrentar um cenário de fiscalizações mais intensas, com possibilidade de aplicação de penalidades em caso de descumprimento. Diante disso, o momento é de organização interna e amadurecimento da gestão, com foco na prevenção e no cuidado integral com as equipes.

Ampliação do conceito de risco ocupacional

A nova abordagem da NR-1 vai além da segurança física no ambiente de trabalho. A norma passa a exigir que as empresas considerem também fatores emocionais e organizacionais, ampliando o olhar sobre a saúde do trabalhador.

No contexto das farmácias, isso inclui atenção a aspectos como:

  • Pressão por metas e resultados

  • Jornadas extensas

  • Exposição constante ao público

  • Conflitos com clientes

  • Sobrecarga operacional

Esses fatores, muitas vezes presentes na rotina do varejo, passam a ser reconhecidos como riscos que precisam ser identificados, monitorados e gerenciados.

Gestão de riscos como processo contínuo

A NR-1 reforça que o gerenciamento de riscos deve ser contínuo, documentado e integrado à estratégia do negócio. Não se trata de uma ação pontual, mas de um processo permanente, que exige organização e acompanhamento.

Entre as principais medidas recomendadas, destacam-se:

  • Atualização do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)

  • Mapeamento de riscos psicossociais

  • Registro das ações preventivas adotadas

  • Envolvimento ativo das lideranças

Além disso, a norma incentiva a integração entre diferentes áreas da empresa, como Recursos Humanos, jurídico, SESMT e gestão ocupacional, promovendo uma atuação mais alinhada e eficaz.

Caminho para a maturidade da gestão

A implementação das exigências deve ocorrer de forma gradual, priorizando a evolução da gestão e não apenas o atendimento às obrigações legais. A proposta é fortalecer a cultura organizacional e criar ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis.

Nesse sentido, algumas práticas ganham relevância no setor:

  • Realização de pesquisas de clima organizacional

  • Capacitação de gestores para identificar sinais de esgotamento nas equipes

  • Revisão de políticas de metas e produtividade

  • Estruturação de canais seguros de escuta

  • Organização de escalas que respeitem os períodos de descanso

  • Promoção de ações voltadas à educação emocional

Saúde mental em foco no ambiente de trabalho

O cenário atual reforça a importância dessas medidas. Em 2025, foram concedidos mais de 540 mil benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais, sendo ansiedade e depressão algumas das principais causas.

No varejo farmacêutico, caracterizado por alta demanda e contato direto com o público, esse dado acende um alerta ainda mais relevante para a necessidade de prevenção e cuidado com as equipes.

Mais que obrigação, estratégia de sustentabilidade

A atualização da NR-1 deve ser compreendida não apenas como uma exigência regulatória, mas como uma oportunidade de profissionalização da gestão e fortalecimento das empresas.

Ao estruturar práticas mais consistentes de cuidado com as pessoas, o setor avança na construção de ambientes mais seguros, produtivos e sustentáveis, com impactos diretos na qualidade dos serviços prestados e na longevidade dos negócios.

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