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Brasil avança na produção nacional de imunoterapia para tratamento do câncer

O Brasil deu um passo importante para ampliar o acesso a tratamentos oncológicos de alta complexidade. Em março de 2026, o Ministério da Saúde anunciou uma parceria estratégica com o Instituto Butantan e a MSD para viabilizar a produção nacional do pembrolizumabe, medicamento utilizado em imunoterapia contra o câncer e comercializado como Keytruda.

O acordo prevê a transferência de tecnologia ao longo de até dez anos para permitir que o medicamento passe a ser fabricado no país e tenha acesso ampliado pelo Sistema Único de Saúde.

Atualmente, o uso do pembrolizumabe na rede pública é mais restrito e atende principalmente pacientes com melanoma avançado. Com a nova parceria, a expectativa do governo federal é ampliar significativamente as indicações do medicamento no SUS e beneficiar pacientes com diferentes tipos de câncer.

Segundo o Ministério da Saúde, a meta é expandir o acesso para cerca de 18 tipos de câncer, incluindo casos de câncer de pulmão, mama triplo-negativo, esôfago e colo do útero. Parte dessas novas indicações ainda está em análise pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.

Como o medicamento atua

O pembrolizumabe é um anticorpo monoclonal que atua bloqueando a via PD-1, mecanismo utilizado por células tumorais para escapar da resposta do sistema imunológico.

Ao bloquear esse processo, o medicamento ajuda o organismo a reconhecer e combater células cancerígenas com maior eficácia.

A imunoterapia tem ganhado destaque nos últimos anos por apresentar resultados mais duradouros em comparação a alguns tratamentos convencionais.

Estudos clínicos apontam benefícios importantes em diferentes tipos de câncer. Em pacientes com câncer de pulmão metastático, por exemplo, o uso combinado com quimioterapia demonstrou redução no risco de morte e aumento da sobrevida.

Redução de custos e ampliação do acesso

Hoje, o alto custo ainda representa um dos principais desafios para o acesso ao tratamento. Na rede privada, cada frasco do medicamento pode custar entre R$ 19 mil e R$ 27 mil.

Com a produção nacional, a expectativa é reduzir custos, diminuir a dependência de importações e ampliar a oferta do tratamento no sistema público.

Além do impacto no acesso dos pacientes, a iniciativa também fortalece a autonomia do setor farmacêutico brasileiro e pode contribuir para reduzir a judicialização relacionada a tratamentos oncológicos de alto custo.

 

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