Com o aumento da procura por medicamentos injetáveis para perda de peso, o Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás, reforça a importância da orientação farmacêutica para evitar interações, automedicação e uso sem acompanhamento
A procura pelas chamadas “canetas emagrecedoras” tem crescido de forma expressiva. Esses medicamentos podem representar importantes avanços no tratamento da obesidade e de condições metabólicas quando utilizados com prescrição, acompanhamento e estratégia terapêutica adequada.
No entanto, o uso sem orientação profissional, especialmente quando associado a outros medicamentos, suplementos, hormônios, termogênicos ou fórmulas manipuladas, pode trazer riscos à saúde. A preocupação não está apenas no medicamento em si, mas na forma como ele vem sendo utilizado: muitas vezes sem avaliação clínica, sem acompanhamento contínuo e sem um plano de cuidado que considere as necessidades individuais de cada paciente.
O perigo das combinações sem avaliação profissional
Um dos principais alertas feitos pelos farmacêuticos é sobre a associação das “canetas emagrecedoras” com outras substâncias. É comum que pacientes cheguem à farmácia usando ou querendo usar, ao mesmo tempo, estimulantes, termogênicos, antidepressivos, hormônios, diuréticos, laxantes, suplementos ou fórmulas manipuladas.
Essas combinações podem aumentar o risco de reações adversas e sobrecarregar o organismo. Entre os possíveis sinais de alerta estão taquicardia, palpitações, ansiedade, insônia, tonturas, fraqueza intensa, desidratação, queda de cabelo, intolerância ao exercício e alterações hormonais.
O farmacêutico tem papel importante na identificação desses riscos. Durante a dispensação ou no acompanhamento farmacoterapêutico, esse profissional pode avaliar o histórico de uso de medicamentos, orientar sobre possíveis interações e alertar o paciente sobre os perigos da automedicação e das associações feitas sem prescrição adequada.
Sem estratégia, o tratamento pode se tornar um risco
O uso de medicamentos para perda de peso deve fazer parte de uma estratégia de cuidado. Isso significa que o tratamento precisa considerar avaliação médica, acompanhamento farmacêutico, alimentação adequada, prática de atividade física, preservação de massa muscular e monitoramento de sinais clínicos.
Quando a busca é apenas por uma perda rápida de peso, sem planejamento, o paciente pode enfrentar consequências importantes. Uma delas é a perda de massa muscular, que pode reduzir o metabolismo, diminuir a força, piorar a disposição e favorecer o reganho de peso.
Por isso, emagrecer não deve ser entendido apenas como reduzir números na balança. Um tratamento seguro deve preservar a saúde metabólica, hormonal e muscular do paciente.
O papel do farmacêutico na segurança do paciente
Na linha de frente do atendimento, o farmacêutico é muitas vezes o primeiro profissional a perceber o uso inadequado de medicamentos e outras substâncias. Ao conversar com o paciente, ele pode identificar sinais de risco, orientar sobre o uso correto, reforçar cuidados com armazenamento e administração, além de encaminhar para outros profissionais de saúde quando necessário.
Também cabe ao farmacêutico combater a banalização desses medicamentos, frequentemente impulsionada por redes sociais e promessas de resultados rápidos. Fotos de “antes e depois” não mostram interações medicamentosas, perda de massa muscular, alterações hormonais ou impactos cardiovasculares.
A orientação profissional é indispensável para que o medicamento seja usado com responsabilidade e dentro de uma estratégia segura.
Cuidado antes da caneta
Antes de iniciar o uso de qualquer medicamento para perda de peso, o paciente deve procurar profissionais de saúde de confiança e informar todos os medicamentos, suplementos, fórmulas e hormônios que utiliza.
Na farmácia, converse com o farmacêutico. Ele é o profissional preparado para orientar sobre o uso racional de medicamentos, identificar riscos de associações inadequadas e contribuir para que o tratamento seja mais seguro.
As “canetas emagrecedoras” podem ser aliadas quando há indicação e acompanhamento. Mas, quando usadas com outros medicamentos sem avaliação e sem estratégia de cuidado, podem deixar de representar uma solução e se tornar um risco à saúde.

