Pesquisa mostra preocupação com falsificação, armazenamento inadequado e produtos sem registro. O Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás alerta para a importância da procedência e da assistência farmacêutica nas compras realizadas em ambiente digital
A possibilidade de adquirir medicamentos pela internet desperta preocupação entre os consumidores brasileiros. Pesquisa realizada pelo Instituto QualiBest de Pesquisa de Mercado, encomendada pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), aponta que 69% dos entrevistados têm receio de comprar medicamentos falsificados no ambiente digital.
O levantamento ouviu 2.024 pessoas responsáveis pela compra de medicamentos em seus domicílios, com hábito de realizar compras pelo menos uma vez a cada três meses. As entrevistas foram realizadas entre 13 e 17 de julho de 2026, nas cinco regiões do país, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Além da possibilidade de falsificação, 59% dos entrevistados temem receber medicamentos vencidos ou armazenados de maneira inadequada, enquanto 54% demonstram preocupação com a aquisição de produtos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Os resultados também mostram que a preocupação não decorre de resistência ao comércio eletrônico. Segundo a pesquisa, 95% dos participantes já realizaram algum tipo de compra pela internet. Nove em cada dez afirmam avaliar a segurança do site antes de concluir uma compra.
Quando o produto é um medicamento, porém, os consumidores demonstram exigir critérios adicionais de segurança.
Para 82% dos entrevistados, a comercialização de medicamentos pela internet deve estar obrigatoriamente vinculada a uma farmácia ou drogaria autorizada. Outros 71% consideram que medicamentos não devem ser tratados como mercadorias comuns nas plataformas digitais.
Presença do farmacêutico amplia confiança
A assistência profissional também aparece como um dos principais fatores relacionados à segurança. De acordo com o levantamento, 78% dos consumidores afirmam que a presença de um farmacêutico aumenta a confiança na compra de medicamentos.
O dado reforça a importância da assistência farmacêutica em todas as formas de dispensação, inclusive quando a solicitação ou a entrega envolve recursos digitais.
O Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás (CRF-GO) reforça que medicamentos devem ser adquiridos em estabelecimentos devidamente regularizados e com garantia de procedência, condições adequadas de armazenamento e transporte, além do cumprimento das exigências relacionadas à prescrição e dispensação.
O farmacêutico é o profissional habilitado para orientar o paciente sobre o uso correto e seguro dos medicamentos, identificar possíveis riscos relacionados à terapia e contribuir para a promoção do uso racional.
O que mudou na legislação?
Em agosto de 2026, a Anvisa revogou medidas que proibiam a comercialização e a propaganda de medicamentos em determinadas plataformas digitais, incluindo iFood, Rappi, Mercado Livre, Submarino, Americanas e Shopee.
A decisão, entretanto, não significa autorização automática para que medicamentos sejam comercializados livremente por marketplaces.
A Lei nº 15.357/2026 alterou a Lei nº 5.991/1973 e passou a prever que farmácias e drogarias licenciadas e registradas nos órgãos competentes poderão contratar canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para fins de logística e entrega de medicamentos ao consumidor, desde que seja cumprida integralmente a regulamentação sanitária.
A Anvisa esclareceu que a aplicação dessa previsão ainda depende de regulamentação específica. Em 19 de agosto, a Diretoria Colegiada da Agência aprovou a abertura do processo administrativo destinado a estabelecer essas regras.
Portanto, a mudança legal não transforma marketplaces em farmácias nem elimina as responsabilidades sanitárias relacionadas à comercialização e à dispensação de medicamentos.
Segurança deve orientar a compra
A pesquisa revela ainda que 85% dos entrevistados consideram que plataformas digitais devem ser responsabilizadas pela oferta de medicamentos falsificados, sem registro ou de procedência desconhecida.
Para o consumidor, alguns cuidados podem contribuir para reduzir riscos. Antes de adquirir um medicamento em ambiente digital, é importante verificar se a venda está vinculada a uma farmácia ou drogaria regularizada, desconfiar de preços muito abaixo dos praticados no mercado e observar a identificação e a procedência do produto.
Também é recomendável guardar nota fiscal, comprovantes da compra e registros do anúncio e da transação.
A facilidade proporcionada pelas tecnologias digitais pode ampliar o acesso e oferecer maior comodidade, mas a segurança sanitária deve permanecer como prioridade. Medicamentos exigem controle de procedência, armazenamento adequado, rastreabilidade, cumprimento das regras de prescrição e assistência farmacêutica qualificada.
Fontes: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Lei nº 15.357/2026, Agência Brasil e pesquisa Instituto QualiBest/Abrafarma.

