Aquipta (atogepanto) é indicado para adultos com pelo menos quatro episódios de enxaqueca por mês e amplia as opções de tratamento preventivo da doença
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Aquipta (atogepanto), novo medicamento oral indicado para a prevenção da enxaqueca em adultos que apresentam pelo menos quatro episódios da doença por mês.
A aprovação amplia as opções terapêuticas disponíveis para pacientes com enxaqueca episódica ou crônica. Diferentemente dos medicamentos utilizados para aliviar os sintomas após o início da crise, o atogepanto é destinado ao tratamento preventivo.
O medicamento atua bloqueando a ação do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), envolvido na transmissão da dor e na fisiopatologia da enxaqueca. Ao interferir nessa via, o tratamento contribui para reduzir a frequência das crises.
No Brasil, o Aquipta teve registro aprovado nas apresentações de 10 mg e 60 mg, em comprimidos de uso oral.
Estudos demonstraram redução dos dias de enxaqueca
A aprovação foi sustentada por estudos clínicos que avaliaram a eficácia e a segurança do atogepanto em pacientes com diferentes formas da doença.
No estudo Advance, que contou com 910 participantes, pacientes que utilizaram diariamente a dose de 60 mg apresentaram redução média de 4,1 dias de enxaqueca por mês. Entre aqueles que receberam placebo, a redução foi de 2,5 dias.
Além disso, 59% dos participantes tratados alcançaram redução de pelo menos 50% na frequência das crises, enquanto no grupo placebo esse percentual foi de 29%.
Já o estudo Progress, realizado com 778 adultos com enxaqueca crônica durante 12 semanas, registrou redução média de 6,9 dias mensais de enxaqueca entre os pacientes tratados, frente a 5,1 dias no grupo placebo.
Os resultados indicaram benefício tanto para pessoas com enxaqueca episódica quanto para aquelas que convivem com a forma crônica da doença.
Enxaqueca vai além da dor de cabeça
A enxaqueca é uma doença neurológica incapacitante, caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça de intensidade moderada a grave. Os episódios também podem ser acompanhados por náuseas, vômitos e maior sensibilidade à luz e ao som.
Estima-se que a condição afete cerca de 15% da população mundial, com impactos que podem atingir a rotina profissional, as relações sociais e a qualidade de vida dos pacientes.
Embora já existam alternativas para a prevenção das crises, parte dos tratamentos utilizados não foi desenvolvida especificamente para atuar nos mecanismos envolvidos na enxaqueca. Nesse contexto, a aprovação do atogepanto representa mais uma possibilidade terapêutica direcionada à fisiopatologia da doença.
Chegada ao mercado brasileiro
Apesar da aprovação sanitária, o registro pela Anvisa não significa disponibilidade imediata nas farmácias. Antes da comercialização, o medicamento ainda passa pelas etapas regulatórias relacionadas à definição de preço no país.
A escolha do tratamento preventivo deve considerar a avaliação individual de cada paciente e ser realizada com acompanhamento de profissional habilitado.

