Movimentação da cadeia de suprimentos acompanha aumento da oferta e novas aprovações de medicamentos à base de semaglutida no país
O mercado brasileiro de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 segue em expansão. Dados analisados pelo BTG Pactual apontam que as importações de polipeptídeos, utilizadas como um dos indicadores da movimentação da cadeia de suprimentos dessa classe de medicamentos, alcançaram US$ 199,2 milhões em agosto de 2026.
O valor representa crescimento de 79,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na comparação com julho, entretanto, houve redução de 22,5%. Segundo a análise, a variação mensal pode estar relacionada à formação anterior de estoques no mercado brasileiro, não indicando necessariamente uma retração da demanda.
No acumulado dos últimos 12 meses, as importações chegaram a aproximadamente US$ 2,46 bilhões, avanço de 103% na comparação anual. Já entre janeiro e agosto, o crescimento foi de 85% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Mercado de GLP-1 ganha espaço no país
Medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 incluem princípios ativos como semaglutida e liraglutida e são utilizados, conforme as indicações específicas de cada produto, no tratamento de condições como diabetes tipo 2 e obesidade.
A expansão dessa categoria tem sido acompanhada pelo aumento da disponibilidade de produtos, novos registros sanitários e maior procura pelos tratamentos.
A própria Anvisa tem registrado um crescimento nos pedidos relacionados a essa classe. Segundo a Agência, 68% das solicitações de registro de dispositivos injetáveis para tratamento de obesidade e diabetes já protocoladas são referentes a medicamentos sintéticos.
Novas opções de semaglutida ampliam mercado
Um dos fatores que ajudam a movimentar esse cenário é a entrada de novos medicamentos à base de semaglutida.
Em agosto, a Anvisa aprovou dois novos medicamentos injetáveis com semaglutida sintética. Um deles é um genérico produzido pela EMS, enquanto o outro é o medicamento similar Semaclique, da Germed. Ambos foram registrados para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado.
As aprovações se somam a outros registros concedidos ao longo de 2026. Em julho, cinco novas canetas de semaglutida foram autorizadas pela Agência, no maior volume de aprovações de agonistas de GLP-1 registrado até então.
Em maio, a Anvisa já havia aprovado o Ozivy, da EMS, primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao produto biológico liberada para comercialização no Brasil. O avanço ocorreu após o fim da patente da semaglutida no país, em março de 2026.
Maior oferta amplia perspectivas para o setor farmacêutico
A entrada de novos fabricantes e medicamentos tende a aumentar a concorrência e a disponibilidade de opções no mercado brasileiro. O movimento também chama atenção do varejo farmacêutico, diante do crescimento da procura e da consolidação dos agonistas de GLP-1 entre as categorias de maior destaque do setor.
Ao mesmo tempo, a ampliação do mercado reforça a importância do uso seguro desses medicamentos. A semaglutida e outros agonistas de GLP-1 estão sujeitos à prescrição, e a Anvisa mantém ações de monitoramento e farmacovigilância relacionadas à classe.
Com importações em alta e uma sequência de novos registros, o mercado brasileiro de GLP-1 entra em uma nova etapa, marcada pela diversificação da oferta e pela chegada de novos concorrentes.

