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Novo medicamento pode reduzir em 26% o risco de um segundo AVC, aponta estudo

Pesquisa internacional apresenta resultados promissores com anticoagulante que atua sobre o fator XI da coagulação e pode ampliar as opções de prevenção do acidente vascular cerebral.

O acidente vascular cerebral (AVC) está entre as principais causas de morte no Brasil. Em 2025, foram registrados aproximadamente 107 mil óbitos pela doença, o equivalente a uma morte a cada seis minutos, segundo dados do Ministério da Saúde. O número superou o de mortes por infarto no mesmo período.

Além da elevada mortalidade, a recorrência da doença preocupa especialistas. No Brasil, cerca de 30% dos pacientes atendidos por AVC já sofreram um episódio anterior.

Os dados foram apresentados pela neurologista Sheila Martins, chefe do Serviço de Neurologia do Hospital Moinhos de Vento e presidente da Rede Brasil AVC, durante o evento científico Grand Round "Novas fronteiras na prevenção do AVC", realizado em Porto Alegre.

Segundo a especialista, estudos internacionais indicam que um em cada dez sobreviventes de AVC isquêmico sofre um novo episódio em até um ano. Em cinco anos, essa proporção chega a um em cada cinco pacientes.

A recorrência pode acontecer mesmo com o uso de medicamentos preventivos e o controle de fatores de risco, como hipertensão arterial e colesterol elevado. Além disso, um segundo AVC tende a provocar sequelas mais graves, aumentar o risco de demência e apresentar maior mortalidade.

Nova classe de medicamentos apresenta resultados promissores

Uma das principais novidades apresentadas no evento foi o desenvolvimento de medicamentos que inibem o fator XI da coagulação, proteína envolvida na formação de coágulos sanguíneos.

O professor canadense Mike Sharma, da Universidade McMaster, liderou o estudo internacional OCEANIC-STROKE, que avaliou a asundexiana, um anticoagulante dessa nova classe.

De acordo com os resultados apresentados, o medicamento proporcionou uma redução de 26% no risco de um novo AVC.

A proposta dessa classe de medicamentos é prevenir a formação de coágulos sem aumentar significativamente o risco de sangramentos graves, uma das principais limitações dos anticoagulantes disponíveis atualmente.

A estratégia surgiu a partir da observação de pessoas com deficiência natural do fator XI, que apresentam menor ocorrência de tromboses e, em geral, não desenvolvem sangramentos graves.

Por que essa descoberta é importante?

A maioria dos AVCs é do tipo isquêmico, causado pela obstrução de vasos sanguíneos que levam sangue ao cérebro.

Atualmente, a prevenção de novos episódios envolve medicamentos como antiagregantes plaquetários e estatinas, além do controle da pressão arterial e de outros fatores de risco.

Entretanto, mesmo com o tratamento adequado, alguns pacientes continuam sujeitos a novos eventos.

Os inibidores do fator XI representam uma possibilidade de ampliar a proteção desses pacientes, especialmente nos casos de AVC isquêmico sem origem cardíaca.

Apesar dos resultados promissores, a asundexiana ainda depende de avaliação e aprovação pelas autoridades regulatórias antes de ser disponibilizada para essa indicação no Brasil. Segundo as informações apresentadas no evento, os preparativos para o processo de aprovação do medicamento no país já foram iniciados.

A importância do acompanhamento farmacêutico

Enquanto novas opções terapêuticas são desenvolvidas, a prevenção de um segundo AVC depende do acompanhamento contínuo e da adesão ao tratamento prescrito.

O farmacêutico desempenha um papel importante nesse processo, orientando os pacientes sobre o uso correto dos medicamentos, possíveis interações, efeitos adversos e riscos da interrupção do tratamento sem orientação profissional.

A atuação farmacêutica também contribui para o acompanhamento de pacientes que utilizam anticoagulantes e antiagregantes plaquetários, medicamentos que exigem atenção especial devido ao risco de sangramentos.

Os avanços científicos reforçam a importância da pesquisa no desenvolvimento de tratamentos mais seguros e eficazes, enquanto o cuidado multiprofissional permanece essencial para reduzir a recorrência do AVC e suas consequências.

 

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