Teste identifica alterações associadas à doença, custa cerca de R$ 3 mil e pode tornar o diagnóstico mais rápido e menos invasivo.
O primeiro exame de sangue para auxiliar no diagnóstico do Alzheimer com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) começou a ser oferecido no Brasil pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS). A tecnologia representa um avanço na investigação da doença, que tradicionalmente pode exigir procedimentos mais complexos, como a punção lombar e a tomografia por emissão de pósitrons (PET).
O teste mede a proteína p-tau217, cujos níveis no sangue estão associados ao acúmulo de beta-amiloide no cérebro, uma das principais alterações biológicas características do Alzheimer.
Um estudo publicado em 2025 na revista científica Nature Medicine, com 1.767 participantes, demonstrou concordância de 89% a 94% entre os resultados do exame de sangue e os da análise do líquor, dependendo do método de interpretação utilizado.
Quem pode fazer o exame?
O teste é indicado para pessoas acima de 50 anos que apresentam sintomas cognitivos e suspeita clínica de Alzheimer.
A solicitação deve ser feita por um médico, após avaliação dos sintomas e realização de testes cognitivos. O exame não é recomendado para pessoas sem sintomas nem para rastreamento preventivo da população.
Os resultados podem ser positivos, negativos ou inconclusivos. Neste último caso, o especialista poderá solicitar exames complementares ou uma nova dosagem posteriormente.
É importante destacar que a identificação das alterações biológicas não confirma, isoladamente, o diagnóstico da doença.
Quanto custa e onde está disponível?
O exame com registro na Anvisa está disponível inicialmente na rede privada, no Hospital Moinhos de Vento, com custo estimado de R$ 3 mil.
Outra modalidade de análise da proteína p-tau217 já é oferecida pelo laboratório Richet, em parceria com o Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), por aproximadamente R$ 1,8 mil. Essa tecnologia ainda passa pelo processo de aprovação formal para comercialização.
Em relação ao Sistema Único de Saúde (SUS), ainda não há previsão de oferta. Segundo o Ministério da Saúde, nenhuma solicitação de avaliação da tecnologia havia sido encaminhada à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
Qual a importância para o tratamento?
A possibilidade de identificar mais cedo as alterações relacionadas ao Alzheimer pode contribuir para decisões terapêuticas mais oportunas.
No Brasil, medicamentos como donanemabe e lecanemabe podem retardar a progressão da doença em determinados pacientes nas fases iniciais, embora não representem uma cura.
O avanço também pode reduzir a necessidade de procedimentos invasivos durante a investigação, proporcionando mais conforto aos pacientes.
Diante de esquecimentos frequentes ou alterações persistentes na memória, a recomendação é procurar avaliação médica.
O farmacêutico contribui para o cuidado desses pacientes por meio da orientação sobre o uso seguro de medicamentos, do acompanhamento da farmacoterapia e da identificação de situações que exigem encaminhamento a outros profissionais de saúde.

