Em estudo clínico, o Emrelis apresentou redução mensurável do tumor em 34,6% dos pacientes avaliados. A previsão é que o medicamento chegue ao mercado brasileiro no primeiro semestre de 2027.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em 19 de outubro, o registro do medicamento telisotuzumabe vedotina, comercializado como Emrelis, para o tratamento de determinados casos de câncer de pulmão avançado. Com a decisão, o Brasil se tornou o segundo país do mundo a autorizar a terapia, depois dos Estados Unidos.
Desenvolvido pela biofarmacêutica AbbVie, o medicamento é indicado para pacientes adultos com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) do tipo não escamoso, localmente avançado ou metastático, que já receberam tratamento anterior e apresentam alta superexpressão da proteína c-Met.
A terapia utiliza a tecnologia de anticorpo-droga conjugado, que combina um anticorpo direcionado à proteína c-Met com um agente antitumoral. Essa abordagem busca direcionar o tratamento às células que apresentam essa característica molecular.
Resultados do estudo clínico
A aprovação foi baseada nos resultados do estudo clínico de fase 2 LUMINOSITY, realizado com pacientes que já haviam recebido tratamentos anteriores.
No estudo, 34,6% dos pacientes avaliados apresentaram redução mensurável do tumor. O resultado representa a taxa de resposta ao tratamento e não significa que esses pacientes tenham sido curados.
Entre os efeitos adversos mais comuns observados estão neuropatia periférica, fadiga, diminuição do apetite e edema periférico, caracterizado pelo acúmulo de líquidos e inchaço, especialmente nas extremidades do corpo.
A proteína c-Met, alvo do medicamento, pode estar presente em níveis elevados em determinados tumores. Segundo a fabricante, essa superexpressão ocorre em aproximadamente 25% dos pacientes com CPNPC não escamoso avançado e EGFR selvagem, estando associada a um prognóstico menos favorável.
Câncer de pulmão no Brasil
O câncer de pulmão está entre as principais causas de morte por câncer no mundo. No Brasil, dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que a doença provocou mais de 31 mil mortes em 2023.
As estimativas também indicam que o país deverá registrar mais de 35 mil novos casos anuais entre 2026 e 2028, reforçando a importância do diagnóstico, do acompanhamento especializado e do desenvolvimento de novas alternativas terapêuticas.

